" a felicidade é sempre um resultado de uma atividade criativa" - Dalai Lama
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
ARTE NA PSIQUIATRIA: A REINVENÇÃO DO EU
sexta-feira, 31 de julho de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
EU PRECISO DE MIM
terça-feira, 28 de julho de 2009
COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL 2
segunda-feira, 27 de julho de 2009
ARTETERPIA E ARTE-DUCAÇÃO
quinta-feira, 16 de julho de 2009
CONTA GOTAS
MAS O QUE É, AFINAL, A CRIATIVIDADE?
E também o mundo onde este deveria habitar. Não o mundo ideal e perfeito, que pudesse acomodá-lo com segurança para que apenas desfrutasse o privilégio de ser ele produto da criação. Mas um mundo inóspito, repleto de perigos e obstáculos, onde este homem teria de lutar pela sua sobrevivência, enfrentando o frio, a fome, as moléstias e toda sorte de predadores.
E entre o céu e a terra, vencendo dificuldades, o homem sobreviveu, alcançando os mais altos níveis de evolução. Diversas estratégias foram armadas na busca de seu objetivo maior, a sobrevivência, e diversas armas, cada uma adaptada a uma necessidade, foram utilizadas. Mas a arma principal, responsável pela sobrevivência e evolução da humanidade e que possibilitou a construção de todas as outras armas foi a criatividade.
Sem ela o homem teria perecido e naufragado, relegando a humanidade a uma experiência mal sucedida. Mas o que é, afinal, a criatividade? Seria adaptação do homem ao meio? Ou um instinto básico de sobrevivência, já inerente à estrutura psicológica desde sua criação? Várias definições sob diversos pontos de vista têm sido utilizadas para explicar o conceito de criatividade, mas nenhuma definição parece ser condizente com o seu real significado.
Sob o ponto de vista humano, criatividade é a obtenção de novos arranjos de idéias e conceitos já existentes formando novas táticas ou estruturas que resolvam um problema de forma incomum, ou obtenham resultados de valor para um indivíduo ou uma sociedade. Criatividade pode também fazer aparecer resultados de valor estético ou perceptual que tenham como característica principal uma distinção forte em relação às “idéias convencionais”. Sob o ponto de vista cognitivo, criatividade é o nome dado a um grupo de processos que procura variações em um espaço de conceitos de forma a obter novas e inéditas formas de agrupamento, em geral selecionadas por valor (ou seja, que possuem valor superior às estruturas já disponíveis, quando consideradas separadamente).
Podem também ter valor similar às coisas que já se dispunha antes mas representam áreas inexploradas do espaço conceitual (nunca usadas antes). Sob o ponto de vista neurocientífico, criatividade é o conjunto de atividades exercidas pelo cérebro na busca de padrões que provoquem a identificação perceptual de novos objetos que, mesmo “pedaços” de estruturas perceptuais antigas, apresentam uma peculiar ressonância, caracterizada do “novo valioso”, digno de atenção. Sob o ponto de vista computacional, criatividade é o conjunto de processos cujo objetivo principal é obter novas formas de arranjo de estruturas conceituais e informacionais de maneira a reduzir (em tamanho) a representação de novas informações, através da formação de blocos coerentes e previamente inexistentes.( NÁVEGA, 2007, página. de Internet-www.intelliwise.com/seminars/criativi.htm )
Como se pode notar, todas as definições acima trazem no seu corpo derivados da palavra “nova”. Rollo May diz que para definir criatividade é preciso distinguir as pseudoformas – isto é, criatividade como estetismo superficial – da sua forma autêntica – ou seja, o processo de criar algo novo.
Qualquer definição, por mais completa que possa parecer, confunde mais que explica e serve para demonstrar que criatividade, assim como arte, são conceitos de difíceis e infinitas interpretações. Algumas abordagens banalizam o seu significado, traduzindo-o como “insight, “incubação”, “preparação”, “estalo” e outros, mostrando que a criatividade é mais fácil de ser sentida do que explicada ou definida. A respeito de definições sobre criatividade, “levavam os artistas e poetas a dizerem, com um sorriso: É interessante mas não é isso que acontece no meu íntimo durante o ato criativo”.(MAY, 1975 p. 32).
O que de concreto se nota é que a necessidade seria um dos fatores responsáveis para o desenvolvimento de impulsos criativos. “O ato criativo origina-se na luta do ser humano contra e com aquilo que o limita” .(MAY, 1975 p. 32). Um outro fator, tão importante quanto a necessidade seria a liberdade. A imposição de regras seria um fator negativo, responsável por tolher a criatividade. A própria subversão da regra já seria por si só um ato inovador e criativo. A inovação é um dos objetivos do ato criativo.
Margareth Boden divide a criatividade em duas áreas distintas: a criatividade psicológica, na qual aquilo que é inventado é novidade para a pessoa, mas não para a humanidade (ou seja, alguém já fez isso no passado) e a criatividade histórica, na qual criação é inédita em termos universais. (NÁVEGA, 2007. página de Internet ).
Criar é explorar o desconhecido. E se dispor a desbravar o desconhecido significa enfrentar o risco de errar. “Tentar e errar faz parte do processo criativo e um dos pontos básicos para ampliarmos nosso potencial criativo é justamente reconsiderar nosso ‘medo’ de errar, talvez transformando a palavra ‘errar’ em ‘ testar’” . (NÁVEGA, 2007, página de Internet ).
“Picasso dizia que “todo ato de criação é, antes de tudo, um ato de destruição”. (MAY, 1975, p. 42). Destruição de velhas formas, antigas idéias, antigos conceitos em prol de novas formas, novas organizações, novos conceitos e novas idéias. Talvez daí advenha o medo de criar uma vez que também se estaria destruindo. May diz , em seu livro A Coragem de Criar, que o ato criativo nos causa certa ansiedade, pois toda pessoa criativa está destruindo nossos sistemas bem ordenados, o que representa uma ameaça à racionalidade e ao controle exterior. Sendo assim, os dogmatistas tentam dominar o artista. (MAY, 1975, p.56) (...)
quarta-feira, 15 de julho de 2009
TERAPIAS PESSOAIS
sábado, 4 de julho de 2009
POESIA 8
sexta-feira, 26 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
POESIA 7
POESIA 6
há quanto tempo
como vai você?
eu estou bem,
apesar de um certo desalento
mas não se preocupe
a vida é assim:
feita de momentos
uns bons,
uns ruins
mas todos a seu tempo
com você espero que esteja tudo bem
tudo azul da cor do mar
a propósito,
quanto vem me visitar?
saiba que estou com saudade
hoje até te procurei pela cidade
adoraria te encontrar assim,
por acaso
seria uma bela surpresa
e aproveitando o ensejo,
um forte abraço
e um grande beijo!
ARTE-EDUCAÇÃO E APRENDIZAGEM
"não se escreve com a caneta e a mão, mas com as idéias e imaginação" João dos Santos, psiquiatra infantil ( 1913 - 87)
Como arte educador, arteterapeuta e artista plástico, conhecedor profundo dos benefícios da arte e das importantes transformações que esta é capaz de realizar no ser humano, assombra-me muito o descaso com que a arte é tratada no ambiente escolar. Arte na escola é sinônimo de recreação ou anarquia e o professor de arte, este é visto e tratado como um ser estranho que ninguém sabe ao certo como lidar, lembrado apenas em datas comemorativas, quando suas habilidades são requisitadas para "decorar", "enfeitar", "ensaiar"... As escolas, por sua vez, não possuem espaço adequado nem material didático suficiente para que se realize as atividades básicas dentro da disciplina e quando o possuem, as boas intenções do arte-educador naufragam em um mar de contratempos que acabam, entre outras coisas, por impedir a apropriação do espaço, requisito indispensável para que a arte cumpra seu papel transformador.
O Estado tem tido algumas iniciativas, através da Proposta Curricular, que visam um melhor aproveitamento da disciplina e sua valorização através do desenvolvimento de novas habilidades e competências que abrangem dança, teatro, música e artes visuais. É certo que faltam ainda alguns ajustes para que a Proposta consiga despertar o interesse de um número maior de educandos, pois em alguns momentos temos a impressão de que foi elaborada por profissionais que desconhecem a atual realidade da educação brasileira. Mas já é um ótimo começo que poderia crescer muito se algumas escolas não insistissem em tratar a arte e o arte-educador como algo desnecessário.
Não credito esse problema a essa ou aquela escola, a esse ou aquele diretor, mas a todo um sistema social que desvaloriza a emoção em detrimento da razão, quando na verdade deveria haver um equilíbrio entre esses dois parâmetros. O que vemos no ambiente escolar nada mais é que o reflexo de uma sociedade culturalmente subdesenvolvida, que valoriza mais o pão que a poesia, que se preocupa em alimentar o corpo como forma de sobreviência biológica e se esquece de alimentar a alma, importante fator de sobrevência cultural e social.
Temos notícias de que um ou outro arte-educador consegue desempenhar suas funções de maneira satisfatória, o que é louvável, mas ainda falta muito para que a arte seja vista, pela sociedade e pela escola como um todo, como uma importante ferramente na formação emocional e intelectual dos educandos. É através da arte e dos seus procedimentos que a criança desenvolve a imaginação, importante fator já na Antiguidade utilizado na apendizagem. Segundo o dicionário Aurélio, imaginação é a faculdade de representar objetos pelo pensamento, faculdade de inventar, criar, conceber. Imaginar é "abstrair" (do latim abstrahere = arrancar). É através da imaginação que a criança "arranca" sentido do concreto, adquirindo a capacidade de simbolizar, criando dentro de si um universo particular, com mecanismos próprios, capaz de assimilar conceitos e inventar formas pessoais de "aprender". Não podemos esquecer também do papel social da arte como importante fator na formação do cidadão pensante, crítico, capaz de produzir e preservar a cultura.
Assim sendo, acredito que o sistema educacional, tão afeito à reformas, devesse olhar com mais atençao o cumprimento de medidas que visem um melhor aproveitamento da disciplina dentro das escolas, preparando inclusive a equipe diretiva para a compreensão da importância da arte e do arte-educador na formação do educando.
Carlos Miguel Fagundes
08 / 06 / 2009
A IMPORTÂNCIA DA CRIATIVIDADE
A criatividade só se manifesta durante o ócio ou nos momentos de lazer, quando o cérebro está em repouso, descansando. Portanto, trabalhar sob pressão é uma das maneiras de tolher a criatividade. Rollo May diz o seguinte:
Se o indivíduo é muito rígido, dogmático, por demais comprometido com as conclusões prévias, jamais permitirá que esse elemento atinja o consciente; não admitirá nunca a existência de um conhecimento que existe em outro plano, no seu interior. Mas a percepção súbita só pode vir à tona quando há um relaxamento da tensão ou da aplicação consciente. Por isso o inconsciente só atravessa a barreira se o trabalho intenso for alterado com descanso (...). (MAY, 1975, p. 62).
Nos dias atuais, movido à novas idéias, onde novos produtos e novas invenções movimentam bilhões de dólares, a criatividade, mais do que em qualquer outra época, tem sido altamente valorizada. Grandes empresas buscam em seus funcionários, além das potencialidades necessárias à função desempenhada, principalmente a criatividade que é, hoje em dia, um dos maiores bens do mundo corporativo. A criatividade é o motor de empresas bem sucedidas. O que se vê é que esta não é característica somente de grandes artistas e nem tem a sua aplicação limitada ao mundo das artes. Segundo Rollo May,
(...) a criatividade está no trabalho do cientista; como no do artista; do pensador e do esteta; sem esquecer os capitães da tecnologia moderna, e o relacionamento normal entre mãe e filho. A criatividade, como define Webster, é basicamente o processo de fazer, de dar vida. (MAY, 1975, p. 39) .
Um dos motivos que tornam a criatividade um dos maiores bens do mundo corporativo é justamente a robotização, a mecanização, a uniformização que o mundo atingiu nas últimas décadas, através principalmente da mídia, que prega uma igualdade negativa e efêmera, baseada na aquisição de bens de consumo e de idéias prontas. Assim, o indivíduo afasta-se cada vez mais da sua essência, abdicando de sua individualidade em prol da coletividade.
Destaca-se quem consegue preservar idéias próprias, ou seja, o indivíduo criativo. A psicóloga Maria Inês Felipe, mestre em criatividade pela Universidade de Santiago de Compostela / Espanha, e consultora de empresas, fala sobre a importância de exercitar a criatividade e diz que esta é um comportamento que pode ser aprendido, uma vez que todos são criativos, deixando de sê-lo por questões familiares, educacionais e empresariais. Compara o desenvolvimento da criatividade com o desenvolvimento físico. Para Maria Inês Felipe “praticar o uso da criatividade eleva a produção, abaixa os custos, aumenta a satisfação do cliente a auto-estima do trabalhador” (FELIPE, 2006, página de Internet). Segundo ela, a criatividade possibilita contribuir socialmente neste mundo de transformações, criando novos produtos,serviços e gerando empregos. No campo pessoal, a criatividade, nas suas diversas formas, significa saúde emocional e conseqüentemente física. Rollo May acredita que o processo criativo deve ser encarado como o mais alto grau de saúde emocional, a expressão de pessoas normais no ato de atingir a realidade.
Segundo o filósofo Georges Canguilhem, a doença é uma vida pobre, impossibilidade da invenção, espaço da monotonia e da repetição de normas limitadas e constrangedoras, já a saúde é uma vida capaz de ultrapassar a norma medíocre do normal momentâneo, a possibilidade de tolerar infrações e de instituir novas normas em situações novas.
Na literatura encontram-se vários referenciais relacionando criatividade e saúde. Em seu livro Rollo May cita um exemplo que demonstra a importância da criatividade para a saúde mental. Vejamos: O Dr. Kurt Goldstein, quando ocupava o cargo de diretor de um grande hospital para doentes mentais, na Alemanha, teve muitos soldados como pacientes, durante a guerra. Segundo ele, esses homens sofriam de limitação radical da capacidade de imaginação. Observou que mantinham armários sempre arrumados do mesmo modo,os sapatos na mesma posição,as camisas no mesmo lugar. Sempre que o armário era desarrumado,o paciente entrava em pânico. Não conseguia se orientar, não conseguia imaginar uma nova “forma” para trazer ordem ao caos. (...) Sua capacidade para o pensamento abstrato, para transcender os fatos imediatos em termos do possível - exatamente o que chamo, neste contexto, de imaginação – foi severamente danificada. Sente-se incapaz de adaptar o ambiente às suas necessidades. (MAY, 1975, p. 124)
O exemplo acima ilustra as implicações da falta de imaginação no dia-a-dia, na resolução de imprevistos e na adaptação ao meio, adaptação esta necessária na mediação de conflitos pessoais internos e externos. A força criadora é responsável pelo desenvolvimento da personalidade como um todo.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
POESIA 5

Olho no espelho e me deparo
com um velho soturno e triste
que com seu dedo em riste
me ordena a gritar:
volta, menino!
ande já pra traz! Esqueça esse desatino
até onde essa loucura vai te levar?
EU, quase dono do mundo,
me assusto por um segundo
e paro de brincar.
A mão acostumada ensaia uma continência
que, interrompida com insolência, desliza no ar
me encorajo e reasumo meu lugar
estufo o peito e grito:
"não volto!
aqui estou e aqui EU vou ficar
até que essa loucura me leve
aonde eu quero chegar!"
julho / 2003
UMA QUESTÃO DE ESPAÇO
A atitude desses moradores de rua, antes de ser uma estratégia de auto-preservação, é também uma forma de comunicação não verbal. Uma forma de expressar através de atitudes o que não conseguiriam através de palavras. Ter a existência exposta publicamente todos os dias, torna-os personagens públicos de um espetáculo improvisado que se desenrola pelas calçadas e ruas, em nichos sombrios, bem abaixo de nossos pés, tendo entulhos fétidos como cenário e ratos como coadjuvantes. Uma sobrevivência assim maltrata, machuca, endurece e divide em pedaços qualquer ser com um mínimo de sensibilidade.
E chega um momento que, para prosseguir, é preciso recolher-se (do verbo recolher, juntar, reunir) por um momento, dialogar consigo próprio. E é nesse momento que imagino iniciar-se o ritual que os levará ao encontro de si próprios. Escolher um espaço apropriado, delimitar esse espaço e aquietar-se. Ao se recolherem, ainda que precariamente no espaço que determinaram como “seu” estão, na verdade, procurando preservar-se, a si e ao seu universo particular com seus conteúdos mais pessoais e íntimos.
É nesses momentos que acessamos os caminhos mais tortuosos e sombrios de nós mesmos e caminhamos em direção aquele eu que, escondidinho nas profundezas de nós mesmos, se manifesta clamando por atenção e afeto.
A senhora que mencionei nos diz através de sua atitude e de seu gesto que não quer mais fazer parte desse espetáculo surrealista. O seu eu não quer mais despedaçar-se pelas calçadas. Quer preservar no “seu espaço” o pouco que restou de si e assim segue, protegida por sua frágil fortaleza de papelão, perdida na imensidão solitária e desumana de 1m quadrado.
domingo, 24 de maio de 2009
POESIA 4
Olhos vermelhos
desembarco diante do espelho
do banheiro
na ante-sala do fim
trago em mim
as marcas da guerra
e a força dos sobreviventes
a fé do recomeço
e a nostalgia
que jamais supus que um dia encontraria
estou vivo!
levanto aos DEUSES
meu cálice anti-tédio
agora meu único remédio
e sigo!











