sexta-feira, 13 de novembro de 2009

POESIA - APENAS VIVO

NÃO VIVO PARA AGRADAR

NEM PARA AGREDIR

NÃO VIVO PARA TRANSGREDIR

NEM PARA COMPETIR

APENAS VIVO

COMO A FOLHA QUE,

CUMPRIDO O SEU CICLO,

SE DESPRENDE DO GALHO

SEM CERIMÔNIA

E FLUTUA RESIGNADA E PODEROSA EM

DIREÇÃO AO SEU DESTINO,

TRAZENDO NOS VEIOS

A MAGIA SILENCIOSA DA VIDA!

carlos miguel fagundes
14/11/2009 - 00:07h



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ARTE NA PSIQUIATRIA: A REINVENÇÃO DO EU

NOME DA OFICINA: CONSTRUÇÃO DE UM AMULETO PESSOAL

Autoria: Carlos Miguel Fagundes

Material: massa de bisquit, tinta acrílica, papel, creme para as mãos sem silicone ( o mesmo utilizado na confecção da massa), palitos de churrasco, carimbos para bisquit, cordões de algodão ou couro próprios para bijouteria.

Esta oficina tem por objetivo fortalcer no participante o sentido de poder, despertando suas potencialidades de cura e equilíbrio através da materialização de seus desejos de paz, saúde, liberdade, etc...
REALIZAÇÃO: Iniciei como sempre pela recepção das participantes e em seguida com um exercício respiratório básico, uma vez que a oficina prática tomaria mais tempo que o habitual. Depois, reunidos em torno da mesa de trabalho, pedi que cada uma se concentrasse no que desejariam para si naquele momento. Enquanto isso entreguei uma pequena tira de papel para cada uma e pedi que anotassem o que desejaram. Conversamos a respeito dos desejos expressos e o que motivava esse desejo. Foi um momento importante de conexão consigo próprio, de apropriação do eu.
Em seguida, distribui um pedaço de massa de bisquit para cada participante e pedi que a sentissem, transmitindo para esta a sua energia. Depois, pedi que embebessem a pequena tirinha de papel no creme para mãos e incorporassem-o à massa, amassando até que o papel sumisse por completo. Então orientei-as a modelar um pingente e algumas contas com essa massa, decorando-o como desejassem, fosse com palito de churrasco ou com o carimbo próprio para bisquit. Na sessão, seguinte, uma semana depois, foi a hora da pintura, onde todas se soltaram com alegria. Enfim montaram o colar e dependuraram-no cerimoniosamente no colo.

ANÁLISE: pude observar com satistação que aquele grupo de mulhseres saiu da oficina com alegria estampada no rosto. São mães, esposas, filhas; algumas abandonadas pela família e pela sociedade, que têm encontrado nas oficinas de Arteterapia momentos de reencontro consigo próprias, de força interior. Pude perceber que trocaram a apreensão, a desconfiança, a ansiedade próprios de pessoas nessas condições por um verdadeiro amuleto de alegria, serenidade, auto-estima e auto-confiança. Mais uma vez descobriram o poder de "ser humano".


RESULTADOS:

















sábado, 7 de novembro de 2009

POESIA - QUEM SOU EU?

quem sou eu?
a criança que não cresceu
a vida que não viveu
guardada como cristal raro
aguardando o melhor momento
que não chegou
eterno ensaio,
poses na frente do espelho,
os mesmos dramas repetidos à exaustão
abrem-se as cortinas
agora é tarde
o público, cansado, se retirou
sem saber que o show se inverteu
sem saber que a platéia fui eu

carlos miguel fagundes
07/11/2009 - 1:20h

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ARTE NA PSIQUIATRIA: A REINVENÇÃO DO EU



Nome da oficina: dança dos pincéಇಸ್
Esta sessão contou com 10 participantes, entre as quais algumas que compareceram pela primeira vez. A frequência é rotativa dependendo muito do estado de cada uma no momento.

Como sempre, iniciei com a recepção das internas, me apresentei às novas participantes e iniciamos a costumeira roda de conversa, momento em que, unidas, se encorajam a verbalizar as preocupações, as fraquezas, as tristezas, as alegrias e expectativas de cada uma.
Partimos então para o relaxamento, iniciando com exercícios respiratórios, exercícios de alongamento e exercícios de self-healing. Fizemos uma dinâmica* que resultou em momentos edificantes de emoção e ternura. Em seguida, dançamos ao som de uma música alegre e partimos para a parte plástica, com a dança dos pincéis* onde utilizei a mesma música alegre. (ver resultado abaixo). No final, fecharam a sesãso com palavras verdadeiras como: gostoso, expressei o que sinto, amei, muito bom, esperança, amor e felicidade.


Análise: cada dia me convenço mais da importância do trabalho corporal antes da expressão plástica, pois assim o participante tem uma melhor noção de si mesmo, e no caso delas, que se encontram alienadas, uma maior apropriação de si próprias. A parte plástica funciona como uma extensão do eu, exteriorizando de forma mais aprofundada e sólida os conteúdos internos.


*Dinâmica utilizada: primeiro pedi que se concentrassem ao som de música relaxante e decidissem o que queriam naquele momento que as fariam mais felizes. Depois cada uma verbalizou o que desejou para si e conversamos um pouco a respeito. Paz, saúde e liberdade foram as palavras mais ditas. Em seguida, caminharam pelo espaço ao som da mesma música ainda e, quando interrompida a música, abraçavam a colega mais próxima e desejavam para ela o que queriam para si.


*Expressão plastica: A orientação era para que trabalhassem ao som de música alegre, dançando com o corpo e com os pincéis sobre o papel. Trabalharam com alegria e desejo.

























terça-feira, 15 de setembro de 2009

ORAÇÃO PRA MIM MESMO

Livrai-me Senhor,
da monstruosa rotina
que endurece,
embrutece e alucina

Dai-me alento!
livra-me do amargo ácido
do arrependimento!

Perdoai
as pequenas tragédias provocadas,
as pequenas atrocidades
ritualmente praticadas
com solenidade

é só hábito
não é maldade

Livrai-me da privação
do dinheiro,
dos sentidos,
da razão

Tende piedade
afasta a mediocridade,
os dias iguais,
a falta de cor
a vulgaridade

Me liberta do passado presente
e do futuro ausente
dos dias estressantes
dos domingos cinzentos

salve-me da sina
de ensinar o que não se ensina

tenha pena de mim
cerrai a cortina
do pesadelo sem fim

Amém!

Carlos miguel Fagundes
16/09/2009 - 00:46min.












quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ARTE NA PSIQUIATRIA: A REINVENÇÃO DO EU

Há algumas semanas, motivado tanto pela necessidade de aperfeiçoar meus conhecimentos como pela necessidade de dispor minhas habilidades para o bem estar do próximo, iniciei trabalho voluntário (oficinas arteterapêuticas) com um grupo de internas de um hospital psiquiátrico.
Desde sempre, ainda que intuitivamente, utilizei o fazer artístico em favor próprio, como forma de me encontrar e de expressar minha identidade no mundo. E desde sempre tem dado certo. Se tenho o auto-conhecimento necessário para lidar tranquilamente com minhas dificuldades, devo muito à livre expressão. Primeiro como autodidata, me graduei posteriormente como Arte-educador habilitado em Artes plásticas e mais recentemente, em busca de novas e mais práticas aplicações para os processos artísticos, me especializei em Arteterapia. E é na qualidade de Arteterapeuta e Arte-educador que, uma vez por semana, me reúno com o grupo citado acima para a realização de oficinas arteterapêuticas e arte-educativas, e passo aqui a publicar informalmente o andamento dessas oficinas. São oficinas que visam a busca do equilíbrio através da expressão artística livre, entre elas: pintura, desenho, modelagem, monotipia, produção de textos, dança e jogos teatrais. As técnicas vão sendo aplicadas de acordo com a necessidade e dinâmica do grupo, sempre levando em consideração as limitações físicas e cognitivas das participantes.

A impressão que tive do hospital psiquiátrico, o qual só conhecia da rua, foi de total estranhamento, estranhamento esse reforçado pelas inúmeras informações preconceituosas que tinha a respeito. Hospitais psiquiátricos sempre foram lugares esquecidos pela sociedade e ainda hoje, mesmo à luz dos novos paradigmas em tratamento de sofrimento mental, despertam o preconceito milenar da população.

As oficinas foram oferecidas, alguns minutos antes do início da primeira, a quem quer que se interessasse. Assim as expectativas das participantes seriam menores, fator importante para que não houvesse tensões. Eu não sabia o que encontraria e a maneira de me preparar para esta primeira sessão foi não me preparando, ou seja, me esvaziando de expectativas. Ao contrário do que tinham me alertado, as participantes me pareceram pessoas como outras quaisquer se considerarmos que todos temos problemas. A diferença é que os problemas delas são mais perceptíveis. Nota-se de imediato, na maioria, um comprometimento da razão. Os conteúdos inconscientes se fazem mais presente que os conteúdos conscientes. Segundo Jung, o transtorno mental nada mais é que a invasão do consciente pelo inconsciente, fenômeno que acontece em diferentes graus, a depender da fragiloidade do ego do indivíduo. Entre as partipantes há casos de depressão e agressividade sem motivos aparentes, tentativa de suicídio, ansiedade, dependência química entre outros.

As oficinas iniciam-se sempre com uma roda de conversa, um momento imprevisível onde contam os acontecimentos marcantes da semana. É nesse momento que consigo perceber as necessidades imediatas do grupo. Todas, sem excessão, se mostram fragilizadas pela ausência da família (filhos, marido, pais, irmãos...), altamente carentes e ansiosas. Em vista desse momento aplico exercícios corporais que vão de encontro às necessidades das participantes enquanto grupo homogêneo e em seguida partimos para a parte plástica, onde cada uma expressa livremente a sua individualidade através da criatividade. Fizeram já colagem, desenho livre, monotipia e mandalas. Talvez o único momento dessa luta diária a que estão submetidas que decidem por si mesmas sem receios, expressando sua individualidade e experimentado o equilíbrio. Esses exercícios plásticos servem também como diagnóstico, é onde consigo fazer uma leitura mais individualizada de cada participante, tentando, na sessão seguinte, direcioná-la à medida do possível, caso ela retorne. Uma das características do grupo é a rotatividade, o que me obriga a realizar oficinas com começo, meio e fim. Algumas pacientes nunca deixam de comparecer, mas considero que a qualquer momento podem ter alta ou não estarem dispostas a participar, já que a participação é voluntária.

A análise dos trabalhos deixa claro que a família e as relações possibilitadas por esta está no centro dos conflitos, o que é notado na representação gráfica da casa que, segundo os dicionários de símbolos de CHEVALIER E GHEERBRANT, simboliza as relações familiares, desde as mais satisfatórias até as mais conflituosas. Outra figura representada à exaustão é a árvore, que simboliza o próprio eu, o renascimento desse eu. Outra característica que se nota nos trabalhos analisados até agora é a falta de bases. Os desenhos flutuam sem chão, o que reflete o momento em que se encontram, perdidas e desorientadas, com dificuldade de contato com a realidade. Mais um indício da invasão do consciente ( realidade) pelo insconsciente (fantasia).

Com base na análise dos trabalhos, tenho buscado técnicas que possibilitem a exteriorização espontânea dos conteúdos inconscientes, de modo que possam ser compreendidos numa relação de diálogo consigo próprio. A monotipia se prestou muito à esse objetivo (verabaixo), pois utilizei tinta para tecido de secagem rápida, o que não permitiu grande planejamento mental, além de não permitir correções. Os resultados foram surpreendentes e entusiasmantes para elas que se encantaram ao entrar em contato com algo desconhecido, dominando-o. Outra atividade que se faz necessária e tem surtido bons efeitos são os exercícios de self-healing (www.self-healing.org.br),que ajudam a despertar o corpo e a mente, possibilitando uma conexão entre todas as funções do organismo. Busco também exercícios que as façam "sentir" o chão apropriando-se desse espaço de equilíbrio que pertencem e têm direito. Pretendo experimetnar a música tribal acompanhada de instrumentos como tambor ou algo similar. A maioria delas se movimenta de forma muito lenta e com alguma dificuldade, temendo existir. E existir é nada mais que exteriorizar-se por inteiro. Assim sendo, essa dificuldade está diretamente relacionada à incapacidade de lidar com os conteúdos inconscientes que se fazem presente nesse momento. Se temo exteriorizar-me contenho meus movimentos, uma vez que, se não verbalizo o corpo fala.

Abaixo, alguns trabalhos realizados até agora.


monotipia

monotipia

monotipia


pintura livre

monotipia


monitipia


pintura livre

pintura livre

Em breve, mais informações.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O que as imagens podem lhe comunicar?
Estas nasceram do desejo e da necessidade do autor,
mas pra que existam de fato e cumpram seu papel, precisam do olhar do espectador.
E esse olhar não significa apenas "ver" com os olhos. Mais que isso, é sentir-se tocado em algum ponto de modo que um diálogo se estabeleça. Assim, as imagens dizem o que o espectador quer (ou não) e necessita saber, numa relação dialógica que nos desperta para algo a mais em nós mesmos, funcionando como um canal de auto-conhecimento e crescimento.
Observe e reflita:

O QUE AS IMAGENS QUEREM LHE DIZER?

COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL 3 ( clique na imagem para ampliar)



bichos 1
carlos miguel fagundes - 1996


bichos 2
carlos miguel fagundes - 1996






bichos 3
carlos miguel fagundes - 1996

quinta-feira, 30 de julho de 2009

EU PRECISO DE MIM

pensei que precisasse
de outras vidas para viver
de aventuras,
novidades,
de outros horizontes
outras cidades.
pensei que precisasse
de vencer grandes batalhas,
viver amores eternos
do mar,
de amar...
sai pelo mundo
numa busca sem fim
pra descobrir que preciso, na verdade
é de mim.

carlos miguel -23/01/2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL 2

"espelho, espelho meu"
nanquim e aquarela sobre papel schöeller
carlos miguel fagundes - 1996

"a fuga de nenhum lugar para o lugar nenhum"
nanquim e aquarela sobre papel schöeller
carlos miguel fagundes - 1996

"A equilibrista"
nanquim e aquarela sobre papel schöeller
carlos miguel fagundes - 1996





segunda-feira, 27 de julho de 2009

ARTETERPIA E ARTE-DUCAÇÃO

meus contatos de msn receberão automaticamente todas as postagens publicadas no meu blog "ARTETERAPIA E ARTE-EDUCAÇÃO". não é necessário responder.

carlos miguel

COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL



quinta-feira, 16 de julho de 2009

CONTA GOTAS

A violência é o preço que uma sociedade paga pelo descaso à educação
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
A moça está na TV porque é bonita ou é bonita porque está na TV?
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Só estaremos preparados para fazer algo quando realmente o fizermos.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
eu sou assim: não sou nada definido, mas também não sou uma incógnita. Quem quiser me conhercer terá que começar pelas reticências. Eu sou assim...
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
O presente se torna importante à medida que o futuro chega transformando-o em algo passado nostálgico.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Eu não me contento fazer as coisas que sei. Quero me arriscar nas coisas que não sei e dominar o desconhecido.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Atrás da minha lucidez se esconde uma velha louca que tem mania de ser normal.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Adoro receber vsitas! só para ter o prazer te vê-las ir embora.

Carlos Miguel
16/07/2009


MAS O QUE É, AFINAL, A CRIATIVIDADE?

Criou-se o homem!

E também o mundo onde este deveria habitar. Não o mundo ideal e perfeito, que pudesse acomodá-lo com segurança para que apenas desfrutasse o privilégio de ser ele produto da criação. Mas um mundo inóspito, repleto de perigos e obstáculos, onde este homem teria de lutar pela sua sobrevivência, enfrentando o frio, a fome, as moléstias e toda sorte de predadores.

E entre o céu e a terra, vencendo dificuldades, o homem sobreviveu, alcançando os mais altos níveis de evolução. Diversas estratégias foram armadas na busca de seu objetivo maior, a sobrevivência, e diversas armas, cada uma adaptada a uma necessidade, foram utilizadas. Mas a arma principal, responsável pela sobrevivência e evolução da humanidade e que possibilitou a construção de todas as outras armas foi a criatividade.

Sem ela o homem teria perecido e naufragado, relegando a humanidade a uma experiência mal sucedida. Mas o que é, afinal, a criatividade? Seria adaptação do homem ao meio? Ou um instinto básico de sobrevivência, já inerente à estrutura psicológica desde sua criação? Várias definições sob diversos pontos de vista têm sido utilizadas para explicar o conceito de criatividade, mas nenhuma definição parece ser condizente com o seu real significado.

Sob o ponto de vista humano, criatividade é a obtenção de novos arranjos de idéias e conceitos já existentes formando novas táticas ou estruturas que resolvam um problema de forma incomum, ou obtenham resultados de valor para um indivíduo ou uma sociedade. Criatividade pode também fazer aparecer resultados de valor estético ou perceptual que tenham como característica principal uma distinção forte em relação às “idéias convencionais”. Sob o ponto de vista cognitivo, criatividade é o nome dado a um grupo de processos que procura variações em um espaço de conceitos de forma a obter novas e inéditas formas de agrupamento, em geral selecionadas por valor (ou seja, que possuem valor superior às estruturas já disponíveis, quando consideradas separadamente).

Podem também ter valor similar às coisas que já se dispunha antes mas representam áreas inexploradas do espaço conceitual (nunca usadas antes). Sob o ponto de vista neurocientífico, criatividade é o conjunto de atividades exercidas pelo cérebro na busca de padrões que provoquem a identificação perceptual de novos objetos que, mesmo “pedaços” de estruturas perceptuais antigas, apresentam uma peculiar ressonância, caracterizada do “novo valioso”, digno de atenção. Sob o ponto de vista computacional, criatividade é o conjunto de processos cujo objetivo principal é obter novas formas de arranjo de estruturas conceituais e informacionais de maneira a reduzir (em tamanho) a representação de novas informações, através da formação de blocos coerentes e previamente inexistentes.( NÁVEGA, 2007, página. de Internet-www.intelliwise.com/seminars/criativi.htm )


Como se pode notar, todas as definições acima trazem no seu corpo derivados da palavra “nova”. Rollo May diz que para definir criatividade é preciso distinguir as pseudoformas – isto é, criatividade como estetismo superficial – da sua forma autêntica – ou seja, o processo de criar algo novo.

Qualquer definição, por mais completa que possa parecer, confunde mais que explica e serve para demonstrar que criatividade, assim como arte, são conceitos de difíceis e infinitas interpretações. Algumas abordagens banalizam o seu significado, traduzindo-o como “insight, “incubação”, “preparação”, “estalo” e outros, mostrando que a criatividade é mais fácil de ser sentida do que explicada ou definida. A respeito de definições sobre criatividade, “levavam os artistas e poetas a dizerem, com um sorriso: É interessante mas não é isso que acontece no meu íntimo durante o ato criativo”.(MAY, 1975 p. 32).

O que de concreto se nota é que a necessidade seria um dos fatores responsáveis para o desenvolvimento de impulsos criativos. “O ato criativo origina-se na luta do ser humano contra e com aquilo que o limita” .(MAY, 1975 p. 32). Um outro fator, tão importante quanto a necessidade seria a liberdade. A imposição de regras seria um fator negativo, responsável por tolher a criatividade. A própria subversão da regra já seria por si só um ato inovador e criativo. A inovação é um dos objetivos do ato criativo.

Margareth Boden divide a criatividade em duas áreas distintas: a criatividade psicológica, na qual aquilo que é inventado é novidade para a pessoa, mas não para a humanidade (ou seja, alguém já fez isso no passado) e a criatividade histórica, na qual criação é inédita em termos universais. (NÁVEGA, 2007. página de Internet ).

Criar é explorar o desconhecido. E se dispor a desbravar o desconhecido significa enfrentar o risco de errar. “Tentar e errar faz parte do processo criativo e um dos pontos básicos para ampliarmos nosso potencial criativo é justamente reconsiderar nosso ‘medo’ de errar, talvez transformando a palavra ‘errar’ em ‘ testar’” . (NÁVEGA, 2007, página de Internet ).

“Picasso dizia que “todo ato de criação é, antes de tudo, um ato de destruição”. (MAY, 1975, p. 42). Destruição de velhas formas, antigas idéias, antigos conceitos em prol de novas formas, novas organizações, novos conceitos e novas idéias. Talvez daí advenha o medo de criar uma vez que também se estaria destruindo. May diz , em seu livro A Coragem de Criar, que o ato criativo nos causa certa ansiedade, pois toda pessoa criativa está destruindo nossos sistemas bem ordenados, o que representa uma ameaça à racionalidade e ao controle exterior. Sendo assim, os dogmatistas tentam dominar o artista. (MAY, 1975, p.56) (...)

carlos miguel
16/07/2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

TERAPIAS PESSOAIS

Há momentos na vida que todo ser humano se depara com dúvidas e incertezas, angústias, medo... Sentimentos de fragilidade que paralisam, nos impedindo de realizarmos até atividades mais rotineiras. Coisas simples como levantar-se pela manhã, tomar banho, arrumar-se e dirigir-se ao trabalho apresentam-se diante de nós como verdadeiras e invencíveis batalhas, exigindo força sobre-humana. Estamos diante da inevitável crise existencial ou momento de conflito interior, pelos quais todo ser vivo, mais cedo ou mais tarde, há de passar. Nessas horas, nada nos agrada e o mundo parece estar contra nós. E o pior é que não podemos simplesmente nos recolher em casa e esperar a tempestade passar, afinal os compromissos não esperam. Momentos como esse, além de serem imprevisíveis, são necessários e até saudáveis. É um sinal de que algo não vai bem e precisa ser analisado com clareza. É através do conflito que atingimos o crescimento e é melhor que esses se manifestem o quanto antes. Não ter conflitos não significa viver em equilíbrio, significa, isso sim, vivenciar o comodismo e adiar o crescimento, alimentando um eterno nanismo da alma. Como bem disse Jung, "só os mortos não sentem dor".

Mas o que fazer diante de tais momentos, quando até o mais carente cão abandonado parece estar numa situção melhor e mais confortável que a nossa? Se fazer de forte não é a melhor solução, pois ignorar a nossa voz interior seria uma atitude de desprezo e desrespeito consigo próprio. Seria a morte do "EU", e o triunfo do monstro interior que nos faz frágil nesse momento e que poderá nos tornar infelizes para sempre se dermos margem para que ele cresça. Refugiar-se no prazer fácil e efêmero das drogas lícitas e/ou ilícitas seria apenas protelar a situação e abrir as portas para desequilíbrios maiores. O melhor que se tem a fazer então é dialogar consigo próprio e tentar descobrir quais necessidades internas nos fragilizam tanto nesse momento e o que as fizeram se manifestar. Esse diálogo silencioso não precisa de hora marcada para acontecer. Pode ocorrer durante todo o tempo e em qualquer lugar, como no ônibus ou carro a caminho do trabalho, durante o banho, durante as refeições, ao deitar-se... afinal, para que essa conversa aconteça, basta responder ao "eu" interior, pois se chegamos a uma situação de extrema fragilidade , é porque esse já está falando sozinho há tempos. Algumas situações podem favorecer esse diálogo, apesar de este poder acontecer a todo instante. Assim como duas pessoas que se gostam se reunem para conversar, também podemos nos "reunir" conosco mesmos para tentar entender essa vozinha interior que insiste em reclamar por atenção. Por exemplo, ficar a sós num local que traga conforto, ouvir uma música que por algum motivo nos desperte o interesse naquele momento, escolher um filme ou livro aleatoriamente, talvez orientado pelas imagens da capa, andar sem rumo pelas ruas experimentando novos caminhos, sentar-se em um local público e observar as pessoas, aventurar-se na expressão artística simples, como desenhar, pintar com lápis de cor, tentar fazer uma dobradura ou colagem ...são situações simples e atitudes não verbais que, se vivenciadas e analisadas com atenção e carinho, podem nos dizer muito sobre nós mesmos, nos auxiliando a se desprender de velhos conceitos, analisando nossos valores, rompendo barreiras mentais que podem estar nos CAOSando perturbações. Estar sempre atento às necessidades do eu interior num diálogo franco e aberto poderá evitar momentos de melancolia, tristeza, desânimo e consequentemente improdutividade em todos os setores da vida. Mas se a crise existencial ou conflito persistir, procure ajuda de um profissional.

Carlos Miguel Fagundes
13/07/2009








sábado, 4 de julho de 2009

POESIA 8

Existir...
não pelas grandes aventuras
nem por amores eternos
apenas pela conquista de
momentos:
o pássaro,
o lago,
o vento
a cor
o tempo...

carlos miguel - 04/6/2009 - 220:8h

BIBLIOGRAFIA 2 (clique na imagem para ampliar)

terça-feira, 26 de maio de 2009

POESIA 7



UM ANJO CHAMADO TEMPO

conheço um anjo
que mora no vento,
um anjo lindo
que me dá abrigo,
que me dá alento
um anjo azul
que vai curar seu sofrimento
um anjo chamado tempo

POESIA 6

Olá meu querido!
há quanto tempo
como vai você?
eu estou bem,
apesar de um certo desalento
mas não se preocupe
a vida é assim:
feita de momentos
uns bons,
uns ruins
mas todos a seu tempo
com você espero que esteja tudo bem
tudo azul da cor do mar
a propósito,
quanto vem me visitar?
saiba que estou com saudade
hoje até te procurei pela cidade
adoraria te encontrar assim,
por acaso
seria uma bela surpresa
e aproveitando o ensejo,
um forte abraço
e um grande beijo!